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Do Ford T aos veículos elétricos: a evolução silenciosa dos lubrificantes na revolução da mobilidade 

Do Ford T aos veículos elétricos: a evolução silenciosa dos lubrificantes na revolução da mobilidade 

Em novo artigo, Mozart Rodrigues Filho, diretor-executivo do Sindicom, analisa como os lubrificantes acompanham a evolução da mobilidade. Leia o artigo completo e entenda por que os lubrificantes continuam estratégicos na mobilidade do futuro:

Pouco se fala sobre eles, mas os lubrificantes sempre estiveram no coração da evolução automotiva. Do icônico Ford T, símbolo da popularização do automóvel no início do século XX, aos modernos veículos eletrificados, a história da mobilidade é também a história da adaptação contínua da indústria de lubrificantes às novas demandas tecnológicas.

Nos primórdios da indústria automotiva, os motores à combustão eram simples, robustos e pouco exigentes. Os lubrificantes tinham a função básica de reduzir atrito e dissipar calor. Com o passar das décadas, o avanço dos materiais, o aumento das rotações dos motores, a busca por maior eficiência energética e a introdução de sistemas como turboalimentação e injeção eletrônica transformaram completamente esse cenário. Os óleos lubrificantes passaram a ser produtos de alta tecnologia, como peças ou partes do motor, formulados para proteger motores cada vez mais complexos, compactos e exigentes.

Essa evolução ficou evidente na constante mudança das classificações e especificações dos lubrificantes, como API, ILSAC, ACEA e normas de montadoras. Cada nova geração de motores exigiu novos pacotes de aditivos, maior controle de depósitos, melhor estabilidade térmica e viscosidades cada vez mais baixas, visando redução de consumo de combustível e emissões. O lubrificante deixou de ser um simples “óleo” para se tornar um componente estratégico do projeto do motor.

Com a chegada dos veículos híbridos e elétricos, o desafio ganhou novas dimensões. Nos carros eletrificados, especialmente os híbridos, os motores à combustão operam de forma intermitente, muitas vezes em temperaturas mais baixas, o que aumenta riscos como contaminação por combustível e formação de umidade. Já nos veículos 100% elétricos, surge um paradoxo interessante: mesmo sem combustão, ainda há necessidade de lubrificação e, sobretudo, de gestão térmica.

Além disso, um dos grandes desafios técnicos é a não condução elétrica. Diferentemente dos motores convencionais, os veículos elétricos possuem motores, inversores e sistemas de alta tensão extremamente sensíveis. Os fluidos utilizados nesses sistemas precisam ter propriedades dielétricas rigorosas, evitando qualquer condução elétrica indesejada que possa comprometer a segurança e a eficiência do veículo. Isso exige investimentos massivos em pesquisa, testes e desenvolvimento de novas formulações.

A indústria de lubrificantes, muitas vezes vista como tradicional, mostra-se novamente resiliente e inovadora. Grandes fabricantes investem continuamente em centros de pesquisa, parcerias com montadoras e desenvolvimento de fluidos específicos para transmissões, sistemas de resfriamento de baterias, direção e freios. O foco deixa de ser apenas a proteção mecânica e passa a englobar eficiência energética, segurança elétrica e sustentabilidade.

Assim, ao observarmos a transição “do Ford T aos veículos elétricos”, fica claro que a evolução da mobilidade não acontece apenas nos motores, baterias ou softwares. Ela também se constrói de forma silenciosa, dentro dos sistemas, nos fluidos que garantem desempenho, durabilidade e confiabilidade. Essa trajetória evidencia que, mesmo diante de profundas transformações tecnológicas, os lubrificantes permanecem como componentes estratégicos para o desempenho, a confiabilidade e a eficiência dos sistemas de mobilidade.

Mozart Rodrigues Filho
Diretor-executivo
Sindicom – Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes