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Na corrida pela descarbonização, a indústria de lubrificantes larga na frente.

Na corrida pela descarbonização, a indústria de lubrificantes larga na frente.

Na corrida pela descarbonização, a indústria de lubrificantes larga na frente

Quando o assunto é o futuro da mobilidade, o debate costuma acelerar na mesma direção: eletrificação, combustíveis renováveis e a urgência da descarbonização. São pautas vitais, sem dúvida. Mas enquanto o mercado desenha o amanhã, uma engrenagem ecológica essencial trabalha em silêncio, entregando resultados concretos há décadas: a indústria de lubrificantes.  Em meio à corrida global de empresas e governos para descarbonizar suas cadeias produtivas, ganha destaque um setor que construiu, na prática, um dos modelos de economia circular mais robustos do Brasil. E essa transformação começa exatamente onde o motor do seu carro trabalha.

A evolução tecnológica dos lubrificantes modernos permite muito mais do que apenas evitar o atrito entre as peças. Hoje, as fórmulas são desenvolvidas para ampliar os intervalos de troca, reduzir o desgaste dos componentes, proporcionar a economia de combustível e melhorar a eficiência energética dos veículos. Na ponta do lápis, isso significa que o motor consome menos recursos ao longo de sua vida útil e emite menos poluentes. É a sustentabilidade agindo direto na engenharia.

Mas é no pós-consumo que o rastro verde do setor fica mais evidente. Diferentemente de outros segmentos que ainda buscam soluções para seus resíduos, o óleo lubrificante usado ou contaminado, denominado “OLUC”, não tem o meio ambiente como destino. Ele é coletado e volta para os rerrefinadores. 

O Brasil tornou-se referência mundial no chamado rerrefino. Trata-se de um processo industrial tecnológico que purifica e recupera integralmente as propriedades do óleo usado e descartado, transformando-o novamente em matéria-prima nobre para novos lubrificantes.  Somente em 2025, cerca de 627 milhões de litros de óleo usado foram coletados e destinados ao rerrefino no país. Hoje, aproximadamente 20% de todo o óleo básico ofertado no mercado nacional já nasce desse processo de reaproveitamento.

Essa mesma lógica circular se aplica às embalagens plásticas que o motorista vê nas prateleiras de postos e oficinas. Por meio do Programa Jogue Limpo, o setor mantém um sistema de logística reversa que, em 2025, coletou mais de 6,7 mil toneladas de embalagens, destinando 96,9% desse total diretamente para a reciclagem.

A operação atende cerca de 40 mil estabelecimentos — entre postos de combustíveis, concessionárias e centros automotivos — em mais de 4,5 mil municípios brasileiros. Para mensurar o tamanho desse esforço ao longo de duas décadas, o programa já recolheu o equivalente a 1,5 bilhão de frascos plásticos de um litro. Enfileirados, eles seriam suficientes para dar nove voltas completas ao redor da Terra.

Celebrar esses números, contudo, não significa rodar no piloto automático. Em um país de dimensões continentais, o setor ainda enfrenta gargalos severos para expandir a coleta em regiões mais remotas, onde as distâncias são imensas e a infraestrutura de reciclagem é escassa. O desafio atual é continuar investindo na ampliação dessa rede e na conscientização dos profissionais da ponta, como mecânicos e frentistas.

A grande lição que a cadeia de lubrificantes traz para o setor automotivo é que a economia circular não é uma meta intangível para o futuro. Ela já faz parte da rotina, gerando valor econômico, mitigando impactos ambientais e provando que o caminho para uma mobilidade sustentável também se constrói com o que fazemos hoje.

Artigo Assinado por: Giancarlo Passalacqua, Diretor de Lubrificantes do Sindicom