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Distribuição de combustíveis é essencial para o desenvolvimento nacional.

Distribuição de combustíveis é essencial para o desenvolvimento nacional.

Setor movimenta 137 bilhões de litros por ano, percorre mais de 1 bilhão de quilômetros e é decisivo para a estabilidade econômica e energética do país.

Abastecer em um posto de combustível é um ato rotineiro, que passa praticamente despercebido. Por hora, em todo o Brasil, são atendidos cerca de 200 000 veículos, que transportam de tudo – pessoas, bens de consumo, alimentos, medicamentos…

No entanto, não há nada de corriqueiro na logística e na estrutura dessa cadeia, que exerce função estratégica para a economia do país. O setor de distribuição de combustíveis faz a conexão entre diversos postos, espalhados nos mais de 5 500 municípios brasileiros, além de refinarias, terminais de importação e bases de distribuição.

É uma cadeia que trabalha com uma logística extremamente complexa, demandando elevado nível de integração, e que ainda inclui o armazenamento e manejo de estoques estratégicos, o controle de qualidade dos combustíveis e o monitoramento permanente do abastecimento.

Com uma matriz de transportes predominantemente rodoviária, 65% do transporte de cargas brasileiro é feito por caminhões. Isso significa que o equilíbrio econômico nacional depende da regularidade e eficiência na distribuição de combustíveis.

São 137 bilhões de litros de combustíveis (gasolina, etanol e diesel) movimentados por diferentes modais – só em 2025, foram mais de 1 bilhão de quilômetros percorridos. É a estrutura que garante a regularidade no fornecimento em todo o país, mesmo nos locais distantes dos pontos de refino e de importação.

E o que poderia acontecer se a cadeia de distribuição de combustíveis fosse interrompida? A análise desse cenário hipotético é parte do estudo realizado pela LCA Consultores, a pedido do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom).

Um impacto imediato

De acordo com Gustavo Madi, diretor da LCA Consultores e responsável pelo levantamento, a interrupção na cadeia de distribuição traria impactos amplos e imediatos. “O diesel é o combustível central do transporte rodoviário e qualquer falha no abastecimento afetaria diretamente o frete, o fornecimento de alimentos, a atividade industrial e os serviços essenciais.”

Estudos do Banco Central e da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontam que a paralisação do modal rodoviário pode gerar perdas de PIB equivalentes a 9 bilhões de reais por dia de interrupção. E os problemas poderiam ir além, diante de situações como a vivida atualmente com o conflito no Irã, por exemplo. “Sem a capacidade logística e a formação de estoques, estaríamos mais expostos a oscilações internacionais, restrições de oferta e crises geopolíticas.”

Para evitar esse cenário, o setor de distribuição de combustíveis mantém um trabalho constante para mitigar eventuais riscos de desabastecimento de combustíveis no Brasil. “Isso acontece por meio de planejamento técnico, gestão de estoques e diversificação de fornecedores, combinando a produção das refinarias nacionais com canais independentes de importação”, explica David Zylbersztajn, presidente do Conselho de Administração do Sindicom.

Segundo o executivo, o setor também mantém diálogo constante com os órgãos governamentais para alinhar as medidas regulatórias às condições reais de operação do mercado, permitindo uma operacionalização mais eficiente. Além disso, há um acompanhamento permanente dos fluxos logísticos, a manutenção de estoques de segurança e a coordenação dos membros da cadeia em momentos críticos para uma resposta conjunta.

De acordo com o levantamento da LCA, o setor de distribuição exerce papel fundamental na estabilidade da cadeia energética, especialmente em períodos de instabilidade internacional, variações cambiais ou restrições de oferta.

“Nesses momentos, o setor assume riscos logísticos e de estoque para manter o abastecimento regular”, afirma Madi. “Sem a atuação das distribuidoras, seria gerado um cenário de frequente desabastecimento, aumento de custos e pressão generalizada sobre os preços.”

Além de sua relevância operacional, a distribuição desempenha um papel estratégico para a economia brasileira. Responsável por cerca de 7,3% do PIB do comércio nacional, o segmento gera aproximadamente 447 000 empregos diretos e indiretos, com massa salarial de 18,6 bilhões de reais, além de contribuir com 232 bilhões de reais em arrecadação tributária. Em 2025, o faturamento anual da atividade alcançou 881 bilhões de reais.

Como é feita a formação de preços

Apesar de lidar com toda a logística necessária para abastecer um país continental, com os custos de frete e com a mistura obrigatória de biocombustíveis (etanol e biodiesel, regulamentada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP), a distribuição e a revenda representam uma fatia pequena do preço final pago na bomba, segundo o estudo, de 13%.

E o restante do preço, do que é composto? “A composição dos preços na bomba reflete uma estrutura de custos integrada”, explica Zylbersztajn. “O valor final é a soma de itens como preço do petróleo, variação do dólar, custos de refino e importação, impostos federais e estaduais e as margens da distribuição e da revenda.”

Veja como é a composição do preço final dos combustíveis, de acordo com o estudo da LCA:

• Custos de produção e importação: 61%
• Tributos (PIS/Cofins e ICMS): 16%
• Mistura de biocombustíveis, obrigatória por lei: 10%
• Distribuição e revenda: 13%

O recente conflito no Irã evidenciou como fatores externos podem impactar os preços dos combustíveis no Brasil. Isso porque a produção doméstica acompanha referências internacionais de preço, já que custos de produção, logística e reposição de estoques são influenciados pelo mercado global. Além disso, parte relevante do diesel consumido no país ainda é importada – atualmente, cerca de 30% da demanda nacional depende do mercado externo para garantir o abastecimento.

Como o petróleo é uma commodity negociada globalmente, crises geopolíticas em regiões estratégicas para a produção e o transporte da commodity, como o Oriente Médio, elevam os preços internacionais do barril e afetam toda a cadeia de combustíveis.

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