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Distribuição de combustíveis garante segurança energética e sustenta a economia brasileira.

Distribuição de combustíveis garante segurança energética e sustenta a economia brasileira.

Setor que emprega 447 mil trabalhadores e movimentou R$ 881 bilhões em 2025 exerce papel estratégico no abastecimento e na produtividade do país

Muito além do abastecimento nos postos, o setor de combustíveis ocupa uma posição estratégica para o funcionamento da economia brasileira. Responsável por conectar refinarias, importadores, bases de armazenamento e consumidores finais, a cadeia de distribuição garante o fornecimento contínuo de um insumo essencial para o transporte, a indústria, o agronegócio e diversos segmentos produtivos do país.

A estrutura do setor inclui atualmente cerca de 189 distribuidoras, 361 bases de distribuição e aproximadamente 45 mil postos revendedores espalhados pelo território nacional. Essa rede é responsável por abastecer cerca de 200 mil veículos por hora, sustentando o funcionamento do transporte de cargas, da mobilidade urbana e das atividades produtivas em todas as regiões do país.

Como se forma o preço dos combustíveis

A composição do preço dos combustíveis no Brasil é resultado de uma cadeia multifatorial, influenciada por fatores nacionais e internacionais. O valor pago pelo consumidor envolve custos de produção, refino, importação, logística, tributos, mistura obrigatória de biocombustíveis e oscilações do petróleo e do câmbio.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que cerca de 61% do preço final dos combustíveis ao consumidor correspondem aos custos de produção e importação, diretamente influenciados pelo mercado internacional. Os tributos federais e estaduais representam aproximadamente 16% da composição do valor, enquanto a mistura obrigatória de biocombustíveis responde por outros 10%. A parcela destinada à distribuição e revenda soma cerca de 13% do preço final.

Dentro dessa estrutura, as distribuidoras atuam em uma cadeia logística que envolve transporte a partir de refinarias e usinas, armazenagem, mistura de combustíveis, operação de bases, frete e entrega em todas as regiões do país. Além disso, assumem custos administrativos, operacionais e financeiros. Já os postos revendedores arcam com despesas ligadas à manutenção das unidades, como aluguel, equipamentos, folha de pagamento, serviços e custos operacionais necessários para garantir o abastecimento ao consumidor final.

Segundo o economista e diretor da LCA Consultoria, Gustavo Madi, os dados da pesquisa ajudam a compreender a complexidade da formação de preços no setor. “A maior parte da composição está relacionada ao custo de produção, importação, tributos e fatores internacionais.”

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Mercado internacional influencia preços no Brasil

O cenário global exerce influência direta sobre os preços dos combustíveis no país, especialmente devido à dependência brasileira da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil depende do mercado externo.

Em períodos de instabilidade geopolítica ou de alta no petróleo, os custos internacionais tendem a subir, pressionando toda a cadeia de abastecimento. As oscilações cambiais também impactam diretamente os preços internos.

“A volatilidade do petróleo e do câmbio impacta diretamente os preços ao consumidor, especialmente porque o Brasil ainda depende da importação de parte relevante do diesel consumido no país”, afirma Gustavo Madi.

Nesses cenários, distribuidoras e importadoras exercem papel importante para garantir o abastecimento nacional. Além da ampliação das importações, as empresas precisam lidar com custos adicionais de logística, armazenagem e aquisição de combustível no mercado internacional.

O Brasil possui atualmente 16 refinarias em operação, porém a produção interna ainda não supre toda a demanda nacional de diesel, o que amplia a relevância das distribuidoras na manutenção do abastecimento em todas as regiões do país.
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Distribuição garante abastecimento e segurança energética

Para o presidente do Conselho de Administração do Sindicom, David Zylbersztajn, a distribuição desempenha função essencial para a segurança energética do país. Segundo ele, o setor garante que os combustíveis cheguem com qualidade, segurança e regularidade a todas as regiões brasileiras.

“A distribuição é uma infraestrutura crítica para o Brasil. São investimentos constantes em logística, armazenagem e controle de qualidade que asseguram o abastecimento mesmo em cenários adversos”, afirma.

O setor de distribuição atua no Brasil há 114 anos e já atravessou mais de 20 guerras e diversos conflitos internacionais que impactaram o suprimento global de petróleo, mantendo o abastecimento energético nacional mesmo em cenários de elevada instabilidade geopolítica.

O impacto da cadeia vai além da operação logística. Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) 2024, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME), os combustíveis líquidos e biocombustíveis representam cerca de 45% da matriz energética brasileira. Os combustíveis líquidos e biocombustíveis sustentam um sistema rodoviário responsável por cerca de 65% do transporte de cargas e 95% da movimentação de passageiros no Brasil, segundo dados do Atlas CNT do Transporte 2025, da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

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Operação logística exige planejamento e infraestrutura

O abastecimento de um país com dimensões continentais como o Brasil demanda planejamento, armazenagem e integração entre diferentes modais de transporte.

Segundo o professor Marcio Lago Couto, superintendente de Pesquisa na FGV Energia, a distribuição atua como elo fundamental entre refinarias, importadores e consumidores finais.

“A distribuição de combustíveis é uma infraestrutura crítica porque conecta refinarias, importadores e consumidores finais, garantindo que um insumo essencial para a economia chegue de forma contínua e segura a todas as regiões do país.”

Expansão dos renováveis exige planejamento

O avanço dos biocombustíveis e da transição energética também impõe novos desafios à cadeia de distribuição. A ampliação da mistura obrigatória de combustíveis renováveis exige investimentos em infraestrutura, adaptações operacionais e maior capacidade logística.

Para Zylbersztajn, a evolução do setor energético demanda planejamento técnico permanente. “A transição energética traz novos desafios operacionais para o setor. Cada avanço dos biocombustíveis exige adaptações logísticas, planejamento e rigor técnico para garantir eficiência e segurança.”

Em um cenário de crescente demanda energética, expansão dos biocombustíveis e maior integração ao mercado global, o setor de distribuição segue desempenhando papel decisivo para assegurar o funcionamento da economia brasileira e a estabilidade do abastecimento nacional.

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Investimentos dependem de previsibilidade regulatória

O setor de combustíveis também depende de estabilidade institucional e previsibilidade regulatória para sustentar investimentos de longo prazo. A cadeia exige aportes significativos em refinarias, logística, infraestrutura de distribuição e expansão da produção de biocombustíveis.

Segundo David Zylbersztajn, regras claras e estáveis são fundamentais para garantir segurança energética e continuidade dos investimentos. “Sem estabilidade e clareza nas regras, o risco de desabastecimento aumenta e toda a economia é impactada.”

Já na avaliação de Marcio Lago Couto, mudanças abruptas em normas tributárias, ambientais ou operacionais aumentam a percepção de risco e dificultam o planejamento das empresas.

“Previsibilidade regulatória é essencial para garantir investimentos em infraestrutura e expansão logística. Mudanças abruptas aumentam a percepção de risco e podem comprometer a eficiência e a segurança do abastecimento”, afirma.

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