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Preço dos combustíveis: como a guerra e a alta do petróleo impactam o Brasil.

Preço dos combustíveis: como a guerra e a alta do petróleo impactam o Brasil.

Entenda por que o valor na bomba depende de cotações globais, impostos e custos de logística.

Diante do conflito no Oriente Médio e da forte volatilidade nos preços do petróleo, o setor de combustíveis, no Brasil e no mundo, atravessa um dos momentos mais críticos dos últimos 40 anos. Em um país de dimensões continentais, que é o sétimo maior consumidor de petróleo e derivados do mundo, o desafio é ainda maior para as distribuidoras, responsáveis por conectar refinarias e importações a cerca de 45 mil postos em mais de 5.500 cidades.

A distribuição de combustíveis movimenta 137 bilhões de litros de diesel, gasolina e etanol por ano e responde por 7,3% do PIB do comércio nacional, segundo estudo da LCA Consultores feito para o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas de Combustíveis e de Lubrificantes). O setor gera cerca de 447 mil empregos e arrecada aproximadamente R$ 232 bilhões em tributos. Apesar da relevância, enfrenta forte pressão externa.

A instabilidade nas regiões produtoras eleva a volatilidade e ameaça a oferta global — cenário especialmente sensível no Brasil, que importa cerca de 30% do diesel consumido. Como a Petrobras responde por cerca de 70% da demanda interna, cabe às distribuidoras complementar o abastecimento por meio da importação, assumindo custos e riscos associados à operação e ajudando a reduzir o risco de desabastecimento. Como o transporte rodoviário depende de 65% desse combustível, as oscilações internacionais chegam rapidamente ao consumidor, mesmo com medidas para conter preços.

Em abril, o governo federal instituiu um subsídio temporário de até R$ 1,20 por litro de diesel importado e R$ 0,80 para o nacional, em parceria com os Estados. Ainda assim, choques externos se propagam por toda a cadeia.

Para David Zylbersztajn, presidente do conselho do Sindicom, é fundamental compreender como se formam os preços. “O valor nas bombas não é fruto de arbítrio, mas o somatório de cotações globais, carga tributária e custos logísticos reais”, afirma.

Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo) mostram que cerca de 61% do preço final ao consumidor vem dos custos de produção e importação, diretamente impactados pelo cenário internacional. Tributos federais e estaduais somam 16%, enquanto a mistura obrigatória de biocombustíveis representa 10%. Os 13% restantes ficam com distribuição e revenda, com participação ligeiramente maior dos postos.

As distribuidoras operam com margens brutas de cerca de 5% e sustentam uma cadeia complexa que envolve frete desde refinarias e usinas, armazenamento, mistura, transporte e entrega em todo o território nacional. Também arcam com custos administrativos, operacionais e financeiros. Já os postos cobrem despesas com locação, manutenção, equipamentos, pessoal e serviços.

Segundo Marcio Lago Couto, especialista em combustíveis da FGV, a complexidade logística eleva os custos. Ele destaca fatores como infraestrutura deficiente, grandes distâncias entre o parque de refino e o interior do país, além da carga tributária.

Couto observa que mudanças no modelo de tributação desde 2022, com a adoção do sistema monofásico, trouxeram mais previsibilidade e permitiram ações como a subvenção ao diesel.

Gustavo Madi, sócio da LCA, avalia que esse modelo ampliou a capacidade de resposta do governo, mas ressalta as incertezas trazidas pela guerra. “O que temos hoje depois da guerra? Os preços ficaram descontrolados em vários pontos da cadeia e os tributos foram alterados. O governo federal zerou o PIS/Cofins e negocia com os Estados para reduzir o ICMS. Esperávamos que a guerra fosse passageira há dois meses, mas continua sem previsão de desfecho”, afirma.

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