Notícias
Por trás da bomba de combustível, uma operação logística que percorre 1 bilhão de quilômetros por ano.

Por trás da bomba de combustível, uma operação logística que percorre 1 bilhão de quilômetros por ano.

Distribuir combustível no Brasil significa manter de pé uma operação logística altamente complexa, em um país marcado por longas distâncias, gargalos de infraestrutura e forte exposição ao mercado internacional.

Um caminhão carregado de soja deixa o interior do Mato Grosso rumo ao porto. Em São Paulo, ônibus saem das garagens antes do amanhecer. No Rio de Janeiro, motoristas avançam entre congestionamentos para chegar a tempo aos compromissos do dia.

Cenas assim se repetem todos os dias e exigem uma operação gigantesca, espalhada pelo país inteiro, para garantir que o produto necessário para mover esses veículos esteja disponível, sem interrupções, tanto nos centros urbanos quanto nas regiões mais isoladas, reforçando seu papel essencial para o funcionamento da economia, ao viabilizar o transporte de pessoas, o deslocamento de cargas e a logística de alimentos, além de sustentar atividades industriais e o funcionamento da cadeia produtiva como um todo.

No debate público, a discussão sobre combustíveis quase sempre diz respeito apenas ao preço cobrado nos postos. É compreensível: o valor da gasolina e do diesel, afinal, mexe com o orçamento das famílias, afeta o custo do frete, provoca impactos na inflação e muda a percepção geral sobre a economia.

Apesar disso, raramente as discussões avançam para outros temas ligados a essa cadeia. É nesse ponto que o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes) atua, mostrando a operação necessária para manter o país abastecido.

“O preço na bomba é apenas a ponta de um iceberg, e o debate público costuma ignorar a complexidade da cadeia que sustenta o país”, afirma David Zylbersztajn, presidente do conselho de administração do Sindicom e ex-diretor-geral da ANP. “Por trás do valor final, há uma estrutura robusta que envolve as etapas de produção, importação, tributos, biocombustíveis e uma operação logística monumental que conecta o Brasil de ponta a ponta.”

Os números demonstram a importância da atividade para o país. Segundo dados de um levantamento da LCA, uma das mais prestigiadas consultorias econômicas do país, o setor de distribuição de combustíveis conecta refinarias, terminais e importadores aos mais de 45 mil postos espalhados pelo Brasil, responde por 7,3% do PIB do comércio brasileiro, fatura R$ 881 bilhões por ano, gera 447 mil empregos diretos e indiretos — com uma massa salarial de R$ 18,6 bilhões — e arrecada R$ 232 bilhões por ano, segundo dados de 2025.

Mesmo assim, há pouco entendimento sobre como o preço praticado nas bombas de combustível se forma. No diesel, os custos de produção e importação respondem por 61% do valor final. Tributos ficam com 16%. A mistura obrigatória de biocombustíveis, mais 10%. Distribuição e revenda somam juntas 13%.

“Os dados mostram que tributos e custo de aquisição representam a maior parte do valor pago na bomba, enquanto distribuição e revenda respondem por uma parcela menor, ligada principalmente à logística, à segurança de abastecimento e à capilaridade da operação”, diz Gustavo Madi Rezende, economista e diretor da LCA Consultoria Econômica.

Embora pequena, a participação das distribuidoras carrega um peso desproporcional. Por trás dessa operação estão rodovias, ferrovias, dutos e cabotagem, gestão de estoques, controle laboratorial, monitoramento contínuo e capacidade de reagir rápido a crises internacionais, eventos climáticos ou qualquer outro solavanco de mercado.

Para se ter ideia, em 2025, a operação de distribuição percorreu mais de 1 bilhão de quilômetros para atender um país que realiza 200 mil abastecimentos por hora, chegando a todos os municípios brasileiros.

Na prática, trata-se de uma infraestrutura crítica para o funcionamento da economia brasileira. São os distribuidores que garantem que 137 bilhões de litros de combustível cheguem ao destino final a cada ano, com previsibilidade, qualidade e capilaridade — do posto no centro de São Paulo ao ponto de abastecimento no interior do Amazonas.

“Em um país de dimensões continentais, a distribuição não é apenas um fluxo de transporte de carga, mas envolve uma operação de inteligência logística e conformidade regulatória”, afirma Marcio Lago Couto, superintendente de pesquisa da FGV Energia. “Ela assegura a continuidade do fluxo de insumos energéticos para o agronegócio até o transporte público, mitigando riscos de interrupção que poderiam paralisar cadeias produtivas inteiras e comprometer a estabilidade da economia.”

Leia a matéria completa na fonte